Você foi no mercado e percebeu, né? O tomate subiu MUITO em 2026.
Já dei aquela olhada desconfiada pra bandeja de tomate no supermercado e pensei: “tá errado isso aqui, não é possível”. Mas tá certo. E tá caro. E o pior: ainda pode piorar.
Segundo o CEPEA — o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP, referência quando o assunto é preço de alimento no Brasil — o tomate subiu 20,52% só em janeiro de 2026. Isso foi o começo. Em março, o troço degringolou de vez: em São Paulo, a caixa de tomate bateu R$ 110, uma alta de 55,2% em uma única semana.
A FGV-Ibre projeta que o tomate deve acumular alta de 7% no ano todo de 2026. Parece pouco perto dos 20% de janeiro? É porque a conta dilui os meses de estabilidade no meio. Mas pra quem faz feira toda semana, o bolso já sentiu faz tempo.
A culpa não é do supermercado. Não é do feirante. Não é do produtor. É do clima. E é sobre isso que vamos falar aqui — sem economês, sem enrolação. Bora entender por que o tomate tá caro, até quando vai ficar assim, e o que você pode fazer a respeito.
Os números reais da alta do tomate em 2026
Vamos colocar as cartas na mesa com os dados que realmente importam. O CEPEA monitora os preços do tomate nas principais centrais de abastecimento do país — CEAGESP em São Paulo, CEASA em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. E os números de 2026 assustam.
Janeiro abriu com alta de 20,52% em relação a dezembro de 2025. Fevereiro deu uma leve trégua. Mas aí veio março — e o tomate simplesmente explodiu. Pico semanal: +55,2% em São Paulo, +45,7% em BH, +26,2% no Rio de Janeiro. Três semanas de disparada que deixaram o consumidor zonzo.
Pensa no contraste com outras hortaliças. A batata — que também sofreu com o clima — subiu 58% em maio, segundo a Conab em parceria com a Broto. A cebola acumulou 31% no primeiro trimestre. O tomate não tá sozinho nesse balaio de preço salgado. As hortaliças como um todo sentiram o tranco do verão 2025/2026.
A FGV-Ibre, o braço de economia do Instituto Brasileiro de Economia, estima que o tomate vai fechar 2026 com alta acumulada de 7%. Isso inclui os meses de estabilidade (abril a junho) que ajudam a segurar a média. Mas se o El Niño vier com força no segundo semestre, essa projeção vai pro espaço. Mas já já eu falo do El Niño.
O Brasil produz tomate pra caramba. Mas tá produzindo menos.
O dado que todo mundo adora citar: o Brasil produziu 4,7 milhões de toneladas de tomate em 2025. É recorde histórico, segundo a Conab — a Companhia Nacional de Abastecimento, órgão oficial do governo federal. Pra você ter noção, é tomate suficiente pra encher quase 200 mil caminhões. Ou, se preferir, daria uns 22 quilos de tomate por brasileiro no ano.
Goiás é o rei absoluto. O estado lidera a produção nacional e ainda projeta crescimento de 36,6% na safra atual. Isso mesmo: quase 40% a mais. Cidades como Goianápolis, Cristalina e Morrinhos são o coração tomateiro do país. São Paulo vem em segundo, com Itaí, Pratânia e Mogi-Guaçu como principais polos. Minas Gerais fecha o pódio, com Araguari, Coromandel e Carmo do Paranaíba entregando toneladas da fruta.
Agora o paradoxo que ninguém te conta: a área cultivada de tomate na safra 2025/26 encolheu 8,9% — caiu de 18.960 para 17.272 hectares. Menos área plantada. Só que a produtividade (quilos por hectare) aumentou tanto que a produção total ainda cresceu. Tecnologia de irrigação, híbridos mais produtivos, manejo intensivo. Mas a conta é frágil: quando o clima resolve dar as caras, menos área significa menos “colchão de segurança”. Se uma frente fria ou uma temporada de chuvas excessivas atinge as regiões produtoras, o estrago é concentrado.

Como o clima de 2026 jogou contra o tomate
O verão 2025/2026 foi atípico. E quando eu falo “atípico”, não é força de expressão — é meteorologia. A combinação de calor acima da média com umidade excessiva criou o ambiente perfeito pra um desastre silencioso nas lavouras de tomate.
Explicação rápida: o tomateiro é uma planta dramática. Ele odeia chuva na folha. Detesta umidade parada. E abomina calor extremo combinado com tempo fechado. No verão 2026, ele teve tudo isso junto. O resultado? Doenças fúngicas e bacterianas se proliferaram como nunca — requeima, pinta-preta, septoriose, murcha-bacteriana. O pacote completo.
Quando o fungo ataca, o fruto fica manchado. E tomate manchado não vai pra gôndola de supermercado — vai pro descarte. Mais descarte = menos tomate de qualidade no mercado = preço nas alturas. A conta fecha. Em Caçador, Santa Catarina, a safra desacelerou forte depois do pico de colheita, justamente porque as chuvas de fevereiro e março prejudicaram a fitossanidade dos frutos remanescentes.
Em Goiás e Minas Gerais, o problema foi outro: chuvas frequentes atrapalharam os tratos culturais. Quando chove dia sim, dia não, o produtor não consegue entrar na lavoura pra pulverizar. E sem pulverização preventiva, as doenças avançam. Aí você junta: calor, umidade, fungo, menos área plantada… e o preço do tomate vai parar na estratosfera.
El Niño no segundo semestre: o risco que ninguém quer ouvir falar
O INMET — Instituto Nacional de Meteorologia — já acendeu o alerta. A NOAA, agência climática americana que opera os satélites mais avançados do planeta, crava: probabilidade de mais de 90% de um El Niño se formar no segundo semestre de 2026. Noventa por cento. Em climatologia, isso é praticamente “já aconteceu, só estamos esperando virar oficial”.
E por que o El Niño mexe tanto com o tomate? Por três motivos. Primeiro: chuvas irregulares no Centro-Oeste — o El Niño bagunça o regime de precipitação, com pancadas concentradas em poucos dias e longos períodos de estiagem entre elas. Pro tomateiro, que precisa de água regular (nem muita, nem pouca), isso é péssimo.
Segundo: explosão de pragas e doenças — mais umidade no ar + calor = fungo feliz. A requeima, principal doença do tomate, adora temperatura entre 18°C e 24°C com umidade acima de 90%. Condições que o El Niño entrega de bandeja em várias regiões produtoras. Terceiro: estresse térmico nas plantas — oscilações bruscas de temperatura fazem o tomateiro abortar flores e frutos jovens.
A projeção dos analistas de mercado (HF Brasil, publicação de referência do setor de hortaliças) é clara: os preços podem subir ainda mais entre julho e dezembro de 2026 se o El Niño se confirmar com intensidade moderada a forte. A safra de inverno, que normalmente estabiliza os preços no segundo semestre, pode não dar conta do recado.

Cidades produtoras de tomate em estado de atenção
Se o El Niño vier com força, tem cidades brasileiras que vão sentir o baque mais cedo — e mais forte. Vamos ao mapa dos principais polos tomateiros:
Em Goiás, o trio de ferro é Goianápolis, Cristalina e Morrinhos. Cristalina, aliás, é um dos maiores polos de hortaliças do Brasil — abastece Brasília, Goiânia e parte de Minas. Se quiser acompanhar a previsão do tempo pra lá, temos a página de previsão do tempo para Cristalina-GO.
Em São Paulo, Itaí e Pratânia dominam. São cidades pequenas, com menos de 30 mil habitantes cada, mas que produzem tomate pra alimentar milhões. Mogi-Guaçu completa o trio paulista, com uma produção mais voltada pro tomate de mesa (aquele bem vermelho e firme).
Em Minas Gerais, o destaque é Araguari — a cidade responde por uma fatia enorme da produção mineira e abastece o mercado de BH e do Rio de Janeiro. Temos a previsão completa pra Araguari-MG no nosso site. Coromandel e Carmo do Paranaíba completam o mapa mineiro.
No Paraná, Marechal Cândido Rondon e Toledo lideram, com produção voltada pra indústria de molhos e extratos. Em Santa Catarina, Caçador é estratégica — a cidade produz tomate durante o inverno, quando outras regiões estão na entressafra, ajudando a segurar o preço nacional. Não deixe de acompanhar nossos alertas meteorológicos — qualquer evento severo nessas regiões mexe com o preço do tomate na sua feira.
Como o consumidor pode se proteger da alta
Não adianta só reclamar do preço — dá pra fazer algumas coisas pra minimizar o impacto no seu bolso. Primeiro: compre tomate na entressafra de inverno (junho a agosto). É quando a produção de Caçador (SC) e de regiões de altitude entra com força no mercado, e os preços costumam ser mais baixos. Fora dessa janela, prepare o coração — e o bolso.
Segundo: use alternativas. Tomate em conserva, extrato de tomate e polpa congelada mantêm a qualidade pra molhos, sopas e refogados. Não é a mesma coisa que o tomate fresco na salada, mas pro dia a dia resolve — e sai bem mais barato. Extrato de tomate, por exemplo, rende muito mais por real gasto que o tomate in natura em época de alta.
Terceiro: aprenda a conservar melhor. Tomate na geladeira dura de 7 a 10 dias. Congelado em cubos (sem pele, cortado), dura até 6 meses e funciona perfeitamente pra molhos e ensopados. Quarto: plante em casa. Um pé de tomate cereja em vaso médio (30 cm de diâmetro), com sol direto e rega regular, rende de 3 a 5 kg por safra. Gasta quase nada e o sabor é incomparável.
Previsão pro resto de 2026: melhora ou piora?
A resposta honesta: depende do El Niño. Entre julho e setembro, os preços devem se estabilizar com a entrada da safra de inverno. Se o El Niño for fraco ou moderado, a tendência é que o tomate volte a um patamar mais razoável até outubro. Mas se o fenômeno vier forte…
Aí o roteiro muda. Chuvas concentradas em pancadas, calor acima da média, doenças fúngicas descontroladas. A safra de primavera-verão 2026/2027 pode nascer comprometida, com florada irregular e frutos de qualidade inferior. Nesse cenário, os preços disparam de novo entre outubro e dezembro — justo na época em que o consumidor espera alívio.
A dica? Acompanhe as previsões climáticas com atenção nos próximos meses. O fenômeno El Niño não é uma sentença de morte pro tomate, mas é um fator de risco enorme. Nosso site mantém os alertas meteorológicos atualizados e a previsão por cidade — se você mora perto de região produtora ou simplesmente quer saber quando vale a pena comprar tomate, fica de olho.
FAQ — Perguntas Frequentes
Por que o tomate subiu tanto em 2026?
A alta tem três causas principais. A primeira é o excesso de chuvas no verão 2025/2026, que favoreceu doenças fúngicas e bacterianas nas lavouras — muito fruto manchado foi descartado. A segunda é a redução da área cultivada em 8,9%, o que concentrou o risco. A terceira é o aumento dos custos de produção (fertilizantes, defensivos, energia). Tudo isso junto fez o preço disparar. Os dados são do CEPEA e da Conab.
Onde encontrar tomate mais barato em 2026?
As CEASAs — centrais de abastecimento — costumam ter os melhores preços, especialmente as de Goiás (Goiânia) e de São Paulo (CEAGESP). Se você mora perto de regiões produtoras como Cristalina-GO ou Araguari-MG, comprar direto do produtor ou em feiras locais também ajuda. Fora da época de pico (dezembro-março), os preços caem naturalmente com a entrada da safra de inverno.
Vale a pena plantar tomate em casa pra fugir do preço?
Vale demais! Um pé de tomate cereja em vaso médio (30 cm de diâmetro), com pelo menos 4 horas de sol direto por dia e rega regular, rende de 3 a 5 kg por safra. A muda custa de R$ 5 a R$ 15 em garden centers. O custo-benefício é excelente, e você ainda ganha um hobby novo. Só evite molhar as folhas (regue direto na terra) pra prevenir fungos — o clima brasileiro já ajuda eles o suficiente.
O preço do tomate vai cair ainda em 2026?
A expectativa é que os preços melhorem entre outubro e novembro, com a entrada da nova safra de primavera. Mas essa projeção depende do El Niño — se o fenômeno for forte e atrapalhar a florada, a oferta pode ficar abaixo do esperado e os preços não caírem como deveriam. Acompanhe as previsões climáticas nos próximos meses, porque esse é o termômetro mais confiável pro preço do tomate.
Fontes consultadas
CEPEA-ESALQ/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), FGV-Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), HF Brasil (Hortaliças e Frutas), CNN Brasil, Exame.
