Tomate 2026: Por Que o Preço Subiu 20% no Brasil?

Tomate subiu 20% em janeiro 2026. CEPEA, FGV e CONAB explicam: chuvas excessivas e doenças nas lavouras pressionam preço. Veja análise completa do impacto climático na produção brasileira.

Pés de tomate em lavoura brasileira com gotas de chuva, ilustrando impacto climático na produção 2026

Você foi no mercado e percebeu, né? O tomate subiu MUITO em 2026.

Já dei aquela olhada desconfiada pra bandeja de tomate no supermercado e pensei: “tá errado isso aqui, não é possível”. Mas tá certo. E tá caro. E o pior: ainda pode piorar.

Segundo o CEPEA — o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP, referência quando o assunto é preço de alimento no Brasil — o tomate subiu 20,52% só em janeiro de 2026. Isso foi o começo. Em março, o troço degringolou de vez: em São Paulo, a caixa de tomate bateu R$ 110, uma alta de 55,2% em uma única semana.

A FGV-Ibre projeta que o tomate deve acumular alta de 7% no ano todo de 2026. Parece pouco perto dos 20% de janeiro? É porque a conta dilui os meses de estabilidade no meio. Mas pra quem faz feira toda semana, o bolso já sentiu faz tempo.

A culpa não é do supermercado. Não é do feirante. Não é do produtor. É do clima. E é sobre isso que vamos falar aqui — sem economês, sem enrolação. Bora entender por que o tomate tá caro, até quando vai ficar assim, e o que você pode fazer a respeito.

Os números reais da alta do tomate em 2026

Vamos colocar as cartas na mesa com os dados que realmente importam. O CEPEA monitora os preços do tomate nas principais centrais de abastecimento do país — CEAGESP em São Paulo, CEASA em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. E os números de 2026 assustam.

Janeiro abriu com alta de 20,52% em relação a dezembro de 2025. Fevereiro deu uma leve trégua. Mas aí veio março — e o tomate simplesmente explodiu. Pico semanal: +55,2% em São Paulo, +45,7% em BH, +26,2% no Rio de Janeiro. Três semanas de disparada que deixaram o consumidor zonzo.

Pensa no contraste com outras hortaliças. A batata — que também sofreu com o clima — subiu 58% em maio, segundo a Conab em parceria com a Broto. A cebola acumulou 31% no primeiro trimestre. O tomate não tá sozinho nesse balaio de preço salgado. As hortaliças como um todo sentiram o tranco do verão 2025/2026.

A FGV-Ibre, o braço de economia do Instituto Brasileiro de Economia, estima que o tomate vai fechar 2026 com alta acumulada de 7%. Isso inclui os meses de estabilidade (abril a junho) que ajudam a segurar a média. Mas se o El Niño vier com força no segundo semestre, essa projeção vai pro espaço. Mas já já eu falo do El Niño.

O Brasil produz tomate pra caramba. Mas tá produzindo menos.

O dado que todo mundo adora citar: o Brasil produziu 4,7 milhões de toneladas de tomate em 2025. É recorde histórico, segundo a Conab — a Companhia Nacional de Abastecimento, órgão oficial do governo federal. Pra você ter noção, é tomate suficiente pra encher quase 200 mil caminhões. Ou, se preferir, daria uns 22 quilos de tomate por brasileiro no ano.

Goiás é o rei absoluto. O estado lidera a produção nacional e ainda projeta crescimento de 36,6% na safra atual. Isso mesmo: quase 40% a mais. Cidades como Goianápolis, Cristalina e Morrinhos são o coração tomateiro do país. São Paulo vem em segundo, com Itaí, Pratânia e Mogi-Guaçu como principais polos. Minas Gerais fecha o pódio, com Araguari, Coromandel e Carmo do Paranaíba entregando toneladas da fruta.

Agora o paradoxo que ninguém te conta: a área cultivada de tomate na safra 2025/26 encolheu 8,9% — caiu de 18.960 para 17.272 hectares. Menos área plantada. Só que a produtividade (quilos por hectare) aumentou tanto que a produção total ainda cresceu. Tecnologia de irrigação, híbridos mais produtivos, manejo intensivo. Mas a conta é frágil: quando o clima resolve dar as caras, menos área significa menos “colchão de segurança”. Se uma frente fria ou uma temporada de chuvas excessivas atinge as regiões produtoras, o estrago é concentrado.

Lavoura de tomate com sinais de doenças fúngicas causadas pelo excesso de chuvas no verão 2026

Como o clima de 2026 jogou contra o tomate

O verão 2025/2026 foi atípico. E quando eu falo “atípico”, não é força de expressão — é meteorologia. A combinação de calor acima da média com umidade excessiva criou o ambiente perfeito pra um desastre silencioso nas lavouras de tomate.

Explicação rápida: o tomateiro é uma planta dramática. Ele odeia chuva na folha. Detesta umidade parada. E abomina calor extremo combinado com tempo fechado. No verão 2026, ele teve tudo isso junto. O resultado? Doenças fúngicas e bacterianas se proliferaram como nunca — requeima, pinta-preta, septoriose, murcha-bacteriana. O pacote completo.

Quando o fungo ataca, o fruto fica manchado. E tomate manchado não vai pra gôndola de supermercado — vai pro descarte. Mais descarte = menos tomate de qualidade no mercado = preço nas alturas. A conta fecha. Em Caçador, Santa Catarina, a safra desacelerou forte depois do pico de colheita, justamente porque as chuvas de fevereiro e março prejudicaram a fitossanidade dos frutos remanescentes.

Em Goiás e Minas Gerais, o problema foi outro: chuvas frequentes atrapalharam os tratos culturais. Quando chove dia sim, dia não, o produtor não consegue entrar na lavoura pra pulverizar. E sem pulverização preventiva, as doenças avançam. Aí você junta: calor, umidade, fungo, menos área plantada… e o preço do tomate vai parar na estratosfera.

El Niño no segundo semestre: o risco que ninguém quer ouvir falar

O INMET — Instituto Nacional de Meteorologia — já acendeu o alerta. A NOAA, agência climática americana que opera os satélites mais avançados do planeta, crava: probabilidade de mais de 90% de um El Niño se formar no segundo semestre de 2026. Noventa por cento. Em climatologia, isso é praticamente “já aconteceu, só estamos esperando virar oficial”.

E por que o El Niño mexe tanto com o tomate? Por três motivos. Primeiro: chuvas irregulares no Centro-Oeste — o El Niño bagunça o regime de precipitação, com pancadas concentradas em poucos dias e longos períodos de estiagem entre elas. Pro tomateiro, que precisa de água regular (nem muita, nem pouca), isso é péssimo.

Segundo: explosão de pragas e doenças — mais umidade no ar + calor = fungo feliz. A requeima, principal doença do tomate, adora temperatura entre 18°C e 24°C com umidade acima de 90%. Condições que o El Niño entrega de bandeja em várias regiões produtoras. Terceiro: estresse térmico nas plantas — oscilações bruscas de temperatura fazem o tomateiro abortar flores e frutos jovens.

A projeção dos analistas de mercado (HF Brasil, publicação de referência do setor de hortaliças) é clara: os preços podem subir ainda mais entre julho e dezembro de 2026 se o El Niño se confirmar com intensidade moderada a forte. A safra de inverno, que normalmente estabiliza os preços no segundo semestre, pode não dar conta do recado.

Vista aérea de região produtora de tomate em Goiás, maior estado produtor do Brasil

Cidades produtoras de tomate em estado de atenção

Se o El Niño vier com força, tem cidades brasileiras que vão sentir o baque mais cedo — e mais forte. Vamos ao mapa dos principais polos tomateiros:

Em Goiás, o trio de ferro é Goianápolis, Cristalina e Morrinhos. Cristalina, aliás, é um dos maiores polos de hortaliças do Brasil — abastece Brasília, Goiânia e parte de Minas. Se quiser acompanhar a previsão do tempo pra lá, temos a página de previsão do tempo para Cristalina-GO.

Em São Paulo, Itaí e Pratânia dominam. São cidades pequenas, com menos de 30 mil habitantes cada, mas que produzem tomate pra alimentar milhões. Mogi-Guaçu completa o trio paulista, com uma produção mais voltada pro tomate de mesa (aquele bem vermelho e firme).

Em Minas Gerais, o destaque é Araguari — a cidade responde por uma fatia enorme da produção mineira e abastece o mercado de BH e do Rio de Janeiro. Temos a previsão completa pra Araguari-MG no nosso site. Coromandel e Carmo do Paranaíba completam o mapa mineiro.

No Paraná, Marechal Cândido Rondon e Toledo lideram, com produção voltada pra indústria de molhos e extratos. Em Santa Catarina, Caçador é estratégica — a cidade produz tomate durante o inverno, quando outras regiões estão na entressafra, ajudando a segurar o preço nacional. Não deixe de acompanhar nossos alertas meteorológicos — qualquer evento severo nessas regiões mexe com o preço do tomate na sua feira.

Como o consumidor pode se proteger da alta

Não adianta só reclamar do preço — dá pra fazer algumas coisas pra minimizar o impacto no seu bolso. Primeiro: compre tomate na entressafra de inverno (junho a agosto). É quando a produção de Caçador (SC) e de regiões de altitude entra com força no mercado, e os preços costumam ser mais baixos. Fora dessa janela, prepare o coração — e o bolso.

Segundo: use alternativas. Tomate em conserva, extrato de tomate e polpa congelada mantêm a qualidade pra molhos, sopas e refogados. Não é a mesma coisa que o tomate fresco na salada, mas pro dia a dia resolve — e sai bem mais barato. Extrato de tomate, por exemplo, rende muito mais por real gasto que o tomate in natura em época de alta.

Terceiro: aprenda a conservar melhor. Tomate na geladeira dura de 7 a 10 dias. Congelado em cubos (sem pele, cortado), dura até 6 meses e funciona perfeitamente pra molhos e ensopados. Quarto: plante em casa. Um pé de tomate cereja em vaso médio (30 cm de diâmetro), com sol direto e rega regular, rende de 3 a 5 kg por safra. Gasta quase nada e o sabor é incomparável.

Previsão pro resto de 2026: melhora ou piora?

A resposta honesta: depende do El Niño. Entre julho e setembro, os preços devem se estabilizar com a entrada da safra de inverno. Se o El Niño for fraco ou moderado, a tendência é que o tomate volte a um patamar mais razoável até outubro. Mas se o fenômeno vier forte…

Aí o roteiro muda. Chuvas concentradas em pancadas, calor acima da média, doenças fúngicas descontroladas. A safra de primavera-verão 2026/2027 pode nascer comprometida, com florada irregular e frutos de qualidade inferior. Nesse cenário, os preços disparam de novo entre outubro e dezembro — justo na época em que o consumidor espera alívio.

A dica? Acompanhe as previsões climáticas com atenção nos próximos meses. O fenômeno El Niño não é uma sentença de morte pro tomate, mas é um fator de risco enorme. Nosso site mantém os alertas meteorológicos atualizados e a previsão por cidade — se você mora perto de região produtora ou simplesmente quer saber quando vale a pena comprar tomate, fica de olho.

FAQ — Perguntas Frequentes

Por que o tomate subiu tanto em 2026?

A alta tem três causas principais. A primeira é o excesso de chuvas no verão 2025/2026, que favoreceu doenças fúngicas e bacterianas nas lavouras — muito fruto manchado foi descartado. A segunda é a redução da área cultivada em 8,9%, o que concentrou o risco. A terceira é o aumento dos custos de produção (fertilizantes, defensivos, energia). Tudo isso junto fez o preço disparar. Os dados são do CEPEA e da Conab.

Onde encontrar tomate mais barato em 2026?

As CEASAs — centrais de abastecimento — costumam ter os melhores preços, especialmente as de Goiás (Goiânia) e de São Paulo (CEAGESP). Se você mora perto de regiões produtoras como Cristalina-GO ou Araguari-MG, comprar direto do produtor ou em feiras locais também ajuda. Fora da época de pico (dezembro-março), os preços caem naturalmente com a entrada da safra de inverno.

Vale a pena plantar tomate em casa pra fugir do preço?

Vale demais! Um pé de tomate cereja em vaso médio (30 cm de diâmetro), com pelo menos 4 horas de sol direto por dia e rega regular, rende de 3 a 5 kg por safra. A muda custa de R$ 5 a R$ 15 em garden centers. O custo-benefício é excelente, e você ainda ganha um hobby novo. Só evite molhar as folhas (regue direto na terra) pra prevenir fungos — o clima brasileiro já ajuda eles o suficiente.

O preço do tomate vai cair ainda em 2026?

A expectativa é que os preços melhorem entre outubro e novembro, com a entrada da nova safra de primavera. Mas essa projeção depende do El Niño — se o fenômeno for forte e atrapalhar a florada, a oferta pode ficar abaixo do esperado e os preços não caírem como deveriam. Acompanhe as previsões climáticas nos próximos meses, porque esse é o termômetro mais confiável pro preço do tomate.


Fontes consultadas

CEPEA-ESALQ/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), FGV-Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), HF Brasil (Hortaliças e Frutas), CNN Brasil, Exame.